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  • rodolfominari

POESIA DO COTIDIANO

Lágrima caindo

Coração acelerando

Dor, alegria

Desalento, raiva, espanto

Cada beco ou avenida

Cada pessoa passando

Cachorro cego latindo

Um feirante apregoando

Tudo é poesia

No nosso cotidiano


Meus livros fora de ordem

Minha roseira murchando

Meu reflexo no espelho

Cada sonho desbotando

O tique-taque do relógio

Dois velhos jogando tranca

O anjo torto que destranca

A última porta aberta

Tudo é poesia

Quando a alma está desperta


Um corpo que voa

Um corpo que ginga

Nossa gente, nossa cor

Nosso tempero e mandinga

Passo descalço apressado

Na quentura do asfalto

Os prédios e os homens frios

A solidão, a pinga

Pingado e pão com manteiga

No boteco da esquina

Cheiro de café

Cangote de mulher

Despedida, a calmaria

Que antecede o seu encontro

Com a rotina

Chuva

Luzes da cidade

Um povo que desdobra

A urbana verdade

De seu ser em meio ao caos

Flores

Mãos de quem faz acontecer

Eu e você

Tudo que se vê e ouve

Tudo que sentimos

Todas as lembranças

Os momentos mais bonitos

Os abraços das crianças

Tudo é poesia

Em nome da esperança


O canto do sabiá

O voo do gavião

O encardido no sofá

O homem na televisão

A velha banca de revista

As prateleiras do mercado

A sementinha de açaí

Nossos melhores orgasmos

Neném chorando

Mãe acudindo

Navio partindo

Amor chegando

Aquele cordãozinho perdido

Sua comida preferida

O clarear de uma nova vida

A benção da tua avó

O calor no teu pé

A pedrinha no teu sapato

O gato caçando rato

O rato tentando viver

No dia que ocê morrer

Tudo deixará saudade

Não espere para amar

E não ame pela metade


Tudo é poesia

Nas asas da liberdade

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